APRESENTAÇÃO



Vinicius Kauê Ferreira
Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mariani Pisani
Universidade Federal do Tocantins

Estevão Rodrigues
Universidade Federal de Roraima

Novos Debates renova seu projeto de promoção de um espaço inovador de discussão antropológica. Ao retomarmos a publicação da revista, com uma nova equipe, desejamos reafirmar nosso compromisso com a construção de uma publicação aberta a novos formatos e interessada pelos debates que fazem avançar a disciplina. Esta é a razão pela qual, com a publicação deste novo número, retomamos também a publicação de determinadas seções, como é o caso da seção Composições de ensaios visuais. Possivelmente, nosso leitor perceberá a ausência da seção Fórum, uma de nossas seções centrais. Símbolo do projeto laboratorial e crítico de nossa publicação, que busca se afirmar como uma plataforma de discussão ativa e dinâmica entre autores de diferentes níveis de formação, a seção em questão voltará a figurar em nossas páginas nos números seguintes.

Mais do que nunca, um dos papeis das publicações em antropologia é divulgar trabalhos de qualidade e relevância científica, ao mesmo tempo em que propicia uma análise crítica bem fundamentada do mundo contemporâneo. Este é um dos compromissos de Novos Debates. Estamos conscientes de que cabe a nós, neste momento de contestação das ciências humanas, o trabalho de fazer circular trabalhos que reafirmam a qualidade científica e a força analítica de nosso campo. Os textos publicados neste número, tanto na seção Novas Pesquisas quanto na seção Opinião, são uma contribuição nesse sentido: eles reafirmam a relevância da disciplina e sua potência hermenêutica na compreensão de dinâmicas sociais bastante complexas e em constante transformação.

Outra dimensão fundamental de Novos Debates é a diversidade institucional e regional tanto dos autores quanto dos campos etnografados. É por essa razão que nos parece importante de garantir que os trabalhos publicados contemplem não apenas diferentes regiões do Brasil, mas também do mundo. Não podemos perder de vista o fato que a antropologia brasileira tem adquirido maior relevância global, e nossas publicações e pesquisadores tem cada vez maior visibilidade internacional. Ao buscar integrar textos de pesquisadores afiliados a instituições estrangeiras, buscamos colocar em perspectiva nossa produção, abrir novos diálogos com pesquisadores estrangeiros, assim como integrar a produção de pesquisadores brasileiros trabalhando no exterior.

Por fim, gostaríamos de agradecer Karina Kuschnir, que nos cedeu o uso da imagem que ilustra nossa capa. Estamos muito contentes de poder homenagear o Museu Nacional por meio deste trabalho tão sensível. Além da ilustração, Karina Kuschnir redigiu um texto que restitui, acreditamos, o sentimento de muitos de nós: incredulidade, tristeza e exasperação, mas sobretudo resiliência e o desejo de continuar lutando pelas instituições que fazem parte da história da nossa disciplina.